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A ENCHENTE QUE NÃO ACABOU – O que a tragédia revela sobre nós

A ENCHENTE QUE NÃO ACABOU – O que a tragédia revela sobre nós

A enchente que não acabou – O que a tragédia revela sobre nós (Carta Editora, 2026, 240 p.), de Angélica Boff. Capas de Everson Godinho com apresentação de Rodrigo Lopes e prefácio de Walter Moura. A enchente que não acabou

Depois de viver por dentro a maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul – atuando como voluntária em abrigos, no apoio a equipes de resgate e no acolhimento e escuta de vítimas, de outros voluntários e também na mobilização de redes de apoio –, a historiadora e psicoterapeuta Angélica Boff decidiu contar em livro as histórias que vivenciou naquele nem tão distante mês de maio de 2024.

Em “A enchente que não acabou – o que a tragédia revela sobre nós” (Carta Editora, 2026), articula conhecimentos da história, da antropologia e de diferentes abordagens psicológicas para apresentar aos leitores uma vigorosa reflexão sobre os diversos aspectos do trauma que a enchente impôs a diferentes pessoas.

Ao longo de 240 páginas ilustradas por fotografias em preto e branco que compõem uma narrativa à parte sobre perdas, danos e solidariedade, a autora revela como os impactos não apenas podem ser duradouros na vida dos atingidos, como revelam estruturas psicológicas de cada pessoa e culturais, de toda uma sociedade e ajuda a entender os efeitos sociais e psicológicos  da enchente.

São histórias de vida distribuídas em 12 capítulos que convidam a uma reflexão sobre valores humanos, reconstrução, trauma, memórias e a vida após a baixa das águas – sem esquecer o que a catástrofe representou para os seres sencientes, os milhares de pets e outros animais atingidos pelo flagelo.

“Mesmo vivendo em um mundo cada vez mais marcado por desastres socioambientais, continuamos agindo como se tudo pudesse voltar ao normal. Mas que normalidade é essa? O que uma tragédia é capaz de revelar sobre a forma como vivemos, sentimos e organizamos a sociedade? Foi a partir dessas perguntas que nasceu este livro”, explica a autora.

Segundo Angélica Boff, são histórias que mostram como a ruptura do cotidiano é capaz de expor tanto aspectos da natureza humana quanto da cultura que construímos: “nossos valores, escolhas morais, formas de cuidado, relações com os animais, modos de viver em sociedade e maneiras de atribuir sentido ao sofrimento”.

“Mais do que registrar uma catástrofe climática, este livro investiga aquilo que ela tornou visível. Porque algumas tragédias não terminam quando a água baixa. Elas continuam ecoando naquilo que revelam sobre nós”, resume.

 

Depoimentos

“Angélica convoca Freud, Jung, Ernest Becker, Pedro Grisa e outros pensadores que ajudam a iluminar questões que emergem das experiências narradas: o luto, o trauma, os apegos, a transitoriedade brusca da vida, a dimensão heroica do humano e as escolhas morais que fazemos diante do caos”, resume o jornalista Rodrigo Lopes, que assina a apresentação de capa.

“Há livros que se escrevem com as mãos. Há livros que se escrevem com o corpo inteiro, com a pele arrepiada de quem foi inundado pelo assunto e voltou para contar. Este é um desses. Não é apenas sobre o que a enchente fez às pessoas, mas sobre o que a enchente revelou que já existia nelas e que a cultura do esquecimento, do imediatismo e do antropocentrismo havia soterrado”, afirma o parapsicólogo Walter Moura.

O jornalista Marcelo Monteiro, que assina a apresentação, é também um dos inúmeros atingidos pela enchente que relatam suas experiências. “O que você está prestes a ler não é “apenas” mais um livro com histórias tristes, enlutadas e enlameadas sobre a enchente de 2024. É um diagnóstico de como uma tragédia pode se refletir nas pessoas e nas sociedades”, frisa.

 

A autora

Angélica Boff é historiadora, mestre em História Cultural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e psicoterapeuta do Método Grisa (Florianópolis, Santa Catarina). Durante 25 anos atuou com pesquisa histórica, dedicando-se especialmente ao estudo da cultura, do comportamento humano e da construção dos saberes. É autora de “Expresso 25 – 50 anos: Uma História do Canto Coral no Brasil”. Moradora de Porto Alegre há mais de quatro décadas, participou como voluntária da enchente de 2024 em diferentes frentes de atuação: abrigos de pessoas e de animais, apoio a equipes de resgate, acolhimento e escuta de vítimas e voluntários, além da mobilização de redes de ajuda. A experiência vivida em campo, somada à escuta de relatos e à sua trajetória como pesquisadora e terapeuta deram origem a este livro.

    R$ 70,00Preço
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    ©2023 por Carta Editora. 

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